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Nos últimos meses, Santos tem sido alvo de casos de esporotricose, uma micose subcutânea causada pelo fungo Sporothrix. Os locais mais afetados têm sido os morros São Bento e do Pacheco. De acordo com a Prefeitura de Santos, a cidade teve 11 casos confirmados em humanos no ano passado e quatro até o momento em 2025. Segundo a Administração Municipal, todos os casos confirmados em humanos "foram transmitidos por gatos infectados pelo fungo".
A esporotricose é uma infecção fúngica, que geralmente atinge a pele e os vasos linfáticos, mas também pode afetar órgãos. A transmissão ocorre a partir do contato do fungo com a pele, principalmente por mordida ou arranhadura de animais contaminados, ou por meio de feridas causadas por espinhos de plantas, palhas e lascas de madeira.
Apresentam mais risco de contaminação os animais semi-domiciliados, ou seja, que passam parte do dia na rua e outra parte dentro de casa. Conforme divulgado pela Prefeitura de Santos, os gatos, por seu comportamento de cavar a terra, são mais propensos à infecção pelo fungo, cujo habitat original é o solo.
De acordo com a Prefeitura de Santos, houve 11 casos de esporotricose registrados em 2024. Já neste ano, a Prefeitura confirmou que houve quatro pessoas afetadas até o momento.
A atendente de telemarketing de seguros Camila de Fátima Ribeiro, de 24 anos, é moradora do Morro do Pacheco e convive com a doença há meses. “(Faz) dois meses que eu e as pessoas que conheço estão com os sintomas de coceira e machucado”, relatou em entrevista para A Tribuna.
Ela tinha uma consulta marcada por meio de plano de saúde, mas por acreditar que a ferida poderia ser passageira, desmarcou. Agora, Camila tem uma nova consulta marcada para esta segunda-feira (21).
Camila conta que há diversos gatos que vivem nas ruas e sem tutores pela região. Esses animais, segundo ela,
possuem algumas feridas pelo corpo, mas na maioria dos casos, a doença atinge a face dos bichos. A atendente de
telemarketing diz que tenta ajudá-los. “Estou fazendo de tudo, mas infelizmente não tenho condições de cuidar de
todos os gatinhos da região”. Ela também relata que os animais tendem a se concentrar em um local com bastante
acúmulo de lixo no retorno da Rua Oito, no Morro do Pacheco.
Um desses gatos foi acolhido por Camila, que o levou ao veterinário e está em tratamento. “Ele (o gato) era de um dono aqui na vizinhança. Eles não cuidam e não tem condições. Esse gato sempre ficava na minha casa pedindo comida. Eu levei ele no veterinário e estou cuidando”, comenta.
Procura por ajuda
A moradora do Morro do Pacheco procurou a Prefeitura de Santos no último dia 7, para ser tomada alguma providência sobre os gatos infectados na região. Através do e-mail, a Ouvidoria e Controle (OC) disse para Camila que “no dia 12 de julho, foram realizadas ações educativas com a entrega de 280 folders informativos sobre esporotricose nas ruas 12 e 8 do Morro Pacheco, que apresentam maior risco para a ocorrência da doença”.
Além disso, a Ouvidoria da cidade disse que foram vistos gatos com feridas compatíveis com a doença circulando livremente pelas ruas. Porém, foi afirmado que “devido à falta de recursos financeiros dos tutores para o transporte dos animais até a Codevida”, não houve busca por tratamento veterinário.
Por outro lado, Camila afirma que esses gatos não possuem tutores. “Todo mundo tem a certeza que esses gatos são abandonados de rua. Nenhum tem tutor. Tem gente que pega filhote de rua e abandona no lixão”, relata.
“Eu sempre levo um saquinho de ração dentro da bolsa quando vou sair para sempre alimentar eles, porque os gatos abandonados ficam comendo lixo. A Prefeitura deveria fazer o acolhimento (deles) para levar na Coordenadoria de Defesa da Vida Animal (Codevida). O estado deles não é de tutor, sempre ficam na rua”, disse Camila.
A Prefeitura de Santos foi questionada por A Tribuna sobre esses gatos não possuírem tutores, mas até o momento da publicação desta matéria, não houve resposta.
Policlínica do São Bento
Na última terça-feira (15), o grupo de Informação, Educação e Comunicação (IEC) montou um estande para conscientizar e distribuir panfletos sobre a esporotricose na Policlínica do São Bento, em Santos. Essa unidade de saúde atende os moradores dos morros São Bento e Pacheco.
Segundo a Prefeitura, muitas pessoas abordadas não possuíam nenhum conhecimento sobre a esporotricose, e, por isso, a doença é confundida com câncer ou outras infecções de pele mais famosas.
Onde receber ajuda
Para um animal receber os devidos cuidados de forma gratuita, o tutor deve levá-lo até uma unidade da Codevida. Confira os endereços: Jabaquara (Av. Francisco Manoel s/nº - senhas de consultas distribuídas às 8h), Jardim Botânico (Avenida João Fraccaroli s/nº, Bom Retiro - senhas distribuídas às 8h e às 13h), Caruara (Praça Encarnación Alves Corpaz s/nº, a partir das 9h) e Monte Cabrão (Rua Principal s/nº, a partir das 9h).
Já em casos de infecção em humanos, qualquer pessoa que tenha feridas que não cicatrizam, ou tenha tido contato com gatos, cães e outros animais com lesões de pele, deve procurar a policlínica de referência do seu local de moradia para receber o diagnóstico e iniciar o tratamento, que é realizado com medicamento por via oral, segundo a Prefeitura de Santos.

Plantão Guarujá