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A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan-RJ) estima que o estado do Rio de Janeiro receberá cerca de R$ 526,3 bilhões em investimentos até 2028, distribuídos em aproximadamente 2 mil projetos. Esta projeção foi divulgada nesta terça-feira (31) na publicação anual “Panorama dos Investimentos”.
De acordo com o levantamento, 1.882 projetos já em andamento ou prestes a serem iniciados somam R$ 327,6 bilhões, abrangendo diversas regiões e setores do estado. Além disso, há a previsão de 79 investimentos potenciais, que representam um montante adicional de R$ 198,7 bilhões.
Na fase de implementação, estima-se que as obras demandarão uma média de 607 mil trabalhadores por ano. Já na etapa de operação, os empreendimentos deverão gerar cerca de 638 mil postos de trabalho, consolidando um impacto duradouro no mercado fluminense. Do ponto de vista fiscal, a Firjan-RJ prevê uma arrecadação de R$ 6,4 bilhões durante a execução dos projetos e de aproximadamente R$ 3,8 bilhões anuais na fase operacional.
Para Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, mesmo diante do complexo cenário geopolítico global, esses investimentos demonstram a confiança de investidores, indústrias e de toda a cadeia produtiva no potencial do estado.
“Nossa expectativa é de um crescimento significativo no número de empregos e um aumento na arrecadação de tributos e impostos, o que projeta um futuro mais promissor para o Rio de Janeiro”, declarou o presidente.
Maurício Fontenelle, diretor de Competitividade Industrial, Inovação Empresarial e Comunicação Corporativa da Firjan, apontou três elementos que ainda limitam o pleno desenvolvimento do Rio, sendo a infraestrutura um dos principais. “Em qualquer lugar que se vá, a questão logística é sempre mencionada, especialmente a rodoviária, mas também a ferroviária e aeroportuária", explicou.
Fontenelle também destacou a questão energética. “Ainda possuímos um vasto potencial para melhorar a quantidade e a qualidade do serviço de energia, particularmente nas regiões fora da capital fluminense”, afirmou.
A segurança pública foi outro ponto crucial levantado por ele. “Essa é uma área que precisamos intensificar os esforços para destravar esses investimentos. Dois em cada três empresários consideram a segurança pública ao decidir onde alocar seus recursos”, declarou o diretor.
Isaque Ouverney, gerente de Infraestrutura da Firjan, complementou que a segurança pública é um fator determinante para a competitividade e a decisão de investimentos, influenciando diretamente os custos de frete devido aos altos valores de seguro e à necessidade de escoltas.
“Essa é uma questão de âmbito nacional, relacionada ao mercado ilegal, que inclui roubo de carga, receptação, pirataria e contrabando. Por isso, acreditamos que ações eficazes para combater esse mercado ilícito surgirão da integração entre União, estados e municípios no enfrentamento desses diferentes elos”, ressaltou o gerente.
Setores em destaque
O “Panorama dos Investimentos” sublinha a relevância do setor de energia, que concentra R$ 215,7 bilhões em aportes em andamento, representando 65,8% do total mapeado. O segmento de petróleo e gás natural se destaca nesse cenário, com investimentos consideráveis de empresas como Petrobras, Shell e Equinor, focados em exploração e produção.
Na área de infraestrutura, as concessões deverão atrair cerca de R$ 41 bilhões em aportes ao longo do período. A Firjan enfatiza o início das obras de melhoria nas concessões rodoviárias mais recentes, como os projetos Rio–São Paulo, que engloba a Presidente Dutra (BR-116) e a Rio–Santos (BR-101); o Rio–Valadares, que abrange as BR-116, BR-465 (antiga Rio–São Paulo) e BR-493 (Arco Metropolitano); além da nova concessão da BR-040 (Rio – Juiz de Fora).
No contexto do projeto Rio–São Paulo, as intervenções na Serra das Araras merecem destaque, com a implementação de um novo traçado para a pista de subida, uma obra essencial para aprimorar a segurança viária e garantir maior fluidez ao transporte de cargas.
O relatório também aponta para a renovação da concessão ferroviária da Malha Sudeste, operada pela MRS Logística, os investimentos no novo terminal de minério de ferro no Porto de Itaguaí, nos terminais do Porto do Rio de Janeiro e a segunda fase do anel viário de Campo Grande.
A indústria de transformação contabiliza cerca de R$ 25,6 bilhões em investimentos, com ênfase no Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil (Prosub). Este programa inclui a construção de um complexo industrial e a produção de quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear, configurando-se como o maior projeto nacional na área de defesa.
Até o momento, a frota da Marinha já incorporou três submarinos convencionais: Riachuelo, Humaitá e Tonelero. O quarto submarino convencional, o Almirante Karam (anteriormente conhecido como Angostura), foi lançado à água em novembro de 2025. O lançamento do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear, o Álvaro Alberto, está previsto para 2034.
No desenvolvimento urbano, os investimentos somam aproximadamente R$ 20,3 bilhões, com destaque para os aportes a serem realizados pelas concessionárias na área de saneamento. O objetivo é universalizar os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em 49 municípios fluminenses ao longo de um período de 12 anos.

Plantão Guarujá
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