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A economia brasileira deve registrar um crescimento de 1,8% este ano, conforme a projeção divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entidade vinculada ao Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO).
Esta projeção otimista para o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, leva em conta o cenário de guerra iniciado em 28 de fevereiro, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, e as incertezas geradas, como a elevação dos preços internacionais do petróleo.
Apesar de reconhecer que “o mundo se encontra no momento de maior tensão geopolítica desde o fim da Guerra Fria [1947-1991]”, o Ipea manifesta “motivos para moderado otimismo”, conforme detalhado na Carta de Conjuntura nº 70, divulgada nesta quinta-feira (9).
O estudo ressalta que “a elevada incerteza no cenário externo contrasta, entretanto, com a relativa rigidez de algumas dinâmicas que vêm caracterizando a economia brasileira há alguns anos – notadamente, o crescimento rápido e contínuo da renda disponível das famílias e do volume de crédito disponibilizado pelo sistema financeiro nacional”.
No contexto nacional, o consumo das famílias, impulsionado pelo reajuste real do salário mínimo, é considerado “um dos maiores motores da economia”, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão responsável pelo cálculo do PIB e também vinculado ao MPO.
A oferta de crédito mencionada anteriormente tem o potencial de fomentar investimentos privados, configurando-se como mais um elemento propulsor do crescimento do PIB.
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Além do consumo das famílias e dos investimentos, o cálculo do crescimento do PIB também engloba as despesas governamentais e o balanço entre exportações e importações.
Despesas e arrecadação
De acordo com o Ipea, o Estado manterá a política do novo arcabouço fiscal, que se caracteriza pela “combinação de elevação dos gastos públicos de natureza social e crescimento das receitas públicas”, resultantes diretos, no caso das despesas, da valorização do salário mínimo e da reindexação dos gastos com saúde à receita corrente líquida da União.
No que tange ao comércio exterior, o instituto indica que haverá benefícios de “políticas fiscais expansionistas” devido aos investimentos em inteligência artificial e aos dispêndios com armamentos, impulsionados pelo conflito no Oriente Médio.
O Ipea recorda que “a eclosão da guerra na Ucrânia [em fevereiro de 2022] não impediu, por exemplo, que o comércio mundial crescesse 5,8%” durante aquele ano.
Projeções para quadriênios
No ano anterior, o Ipea obteve êxito em sua estimativa para o crescimento do PIB, que foi de 2,3%. Caso a projeção do instituto para este ano se concretize, o acumulado para o período de 2023-2026 alcançará 10,7%, um patamar superior aos dois quadriênios precedentes.
Tal resultado representaria um avanço de cinco pontos percentuais em relação ao PIB do quadriênio anterior (que totalizou 5,7% entre 2019 e 2022) e 0,8 ponto percentual acima do PIB total registrado entre 2015 e 2018 (9,9%).
Para o PIB de 2027, o Ipea estima uma expansão de 2%.

Plantão Guarujá
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