O Banco Central (BC) anunciou nesta quinta-feira (16) a intervenção e liquidação extrajudicial da Cooperativa de Crédito, Poupança e Serviços Financeiros - Creditag. A decisão foi tomada em virtude do severo comprometimento da saúde financeira da entidade.

Conforme comunicado pelo BC, a situação colocou os credores quirografários da Creditag em uma posição de "risco anormal". Credores quirografários são aqueles que não possuem garantias reais para suas dívidas, sendo seus créditos baseados em instrumentos como notas promissórias, cheques sem lastro e acordos de prestação de serviços.

A Creditag, uma cooperativa de crédito independente de menor porte, representava, em dezembro de 2025, uma parcela ínfima de aproximadamente 0,0000226% do total de ativos do Sistema Financeiro Nacional (SFN), segundo informações do BC.

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Em contraste, as quatro maiores instituições financeiras do país detêm 54,7% dos ativos totais do SFN. Dados do relatório de Estabilidade Financeira do BC, de abril de 2025, indicam que a Caixa Econômica Federal lidera com 15,1%, seguida pelo Banco do Brasil (14,9%), Itaú Unibanco (13,6%) e Bradesco (11,1%).

A liquidação extrajudicial é um regime especial de intervenção aplicado pelo BC para remover instituições financeiras inviáveis do SFN de maneira organizada. Este processo ocorre sem a necessidade de intervenção judicial direta, com o objetivo de salvaguardar depositantes e credores diante de quadros de insolvência grave, má gestão ou indícios de fraude.

Em conformidade com a legislação vigente, a decretação da liquidação implica na indisponibilidade dos bens dos ex-gestores da cooperativa.

O Banco Central assegurou que prosseguirá com todas as ações necessárias, dentro de suas atribuições, para investigar as causas da crise na Creditag. As apurações podem resultar na aplicação de sanções administrativas e no encaminhamento do caso às autoridades competentes, caso se verifique a necessidade.

FONTE/CRÉDITOS: Andreia Verdélio - Repórter da Agência Brasil