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A venda de parte do terreno do Ilha Porchat Clube, em São Vicente, no litoral de São Paulo, foi formalizada após um processo que envolveu o pagamento e o equacionamento de dívidas históricas e a definição de um novo modelo de ocupação da área da cidade da Baixada Santista. De acordo com o diretor da empresa responsável pela aquisição, Leopoldo Arias, e o presidente do clube, André Luiz Jesus Pereira, a negociação — cujo valor não foi divulgado — visou evitar a perda da sede em leilões judiciais e garantir a continuidade da instituição.
Segundo Leopoldo Arias, a operação resultou na aquisição de aproximadamente 70% da área do clube. Nesse modelo, que desmembra os 11,3 mil metros quadrados de área total, cerca de 3,8 mil metros quadrados continuarão com o Ilha Porchat Clube, com nova sede social, salão e revitalização completa do local que hoje abriga as piscinas, e 7,5 mil metros quadrados, onde está o salão localizado na subida da Ilha Porchat, ficarão destinados a um novo empreendimento — entre as possibilidades, está o ramo imobiliário. “O Ilha Porchat Clube e o novo empreendimento serão totalmente independentes”, disse Arias.
Segundo ele, a negociação seguiu modelos adotados em outras aquisições de clubes da região, sempre prevendo manter a instituição. O empresário ressaltou que a preocupação central foi preservar o clube, com 61 anos.
De acordo com Arias, a sede do clube estava sob risco de leilões em razão de execuções judiciais antigas nas esferas cível, trabalhista e tributária. A negociação incluiu o pagamento integral ou o equacionamento de dívidas em torno de R$ 12 milhões, entre as quais ações trabalhistas antigas, execuções fiscais, débitos de IPTU e um processo movido pelo Ministério Público Estadual.
Segundo ele, houve acordo com credores — inclusive o Ministério Público Estadual, que aceitou uma proposta para pagamento e viabilizou a suspensão do leilão. Arias disse ainda que cerca de 90% dos processos foram quitados à vista. Os demais, parcelados. “A gente vai entregar o clube zerado de dívidas e, inclusive, com fundo de caixa, com capital de giro”.
A aquisição foi realizada por meio da holding Arias Invespar, com a criação de uma sociedade de propósito específico denominada Ilha Porchat Empreendimentos Imobiliários. Arias declarou que o proprietário legal do imóvel no momento da venda era o próprio clube. A situação documental foi regularizada ao longo do processo, que durou um ano e três meses, desde a assinatura de um memorando de entendimentos. A formalização definitiva do negócio ocorreu na terça-feira (23).
“Foi para salvar” a instituição, afirma presidente
O presidente do clube, André Luiz Jesus Pereira, afirmou que a decisão de vender parte do terreno foi tomada como alternativa para evitar o leilão e preservar a instituição. Segundo ele, havia um processo do Ministério Público que, desde 2015, dificultava negociações e impedia a realização de eventos, principal fonte de receita. “A decisão foi para salvar o clube”, afirmou.
Além da queda de arrecadação, conforme Pereira, o estatuto do clube não permitia a criação de taxas administrativas extras para custear obras ou regularizações, o que agravava a situação financeira. Ele relatou que havia processos muito antigos em andamento, incluindo ações iniciadas na década de 1990.
Segundo o presidente, não houve edital formal de chamamento, mas sim a análise de propostas apresentadas ao longo do tempo. Ele explicou que, em razão da falta de documentação regular à época, muitos interessados desistiram. A oferta do grupo de Leopoldo Arias foi discutida em assembleias e reuniões do conselho. “Devido à situação crítica, todos acharam o encaminhamento a única solução. Senão, a gente ia perder (o imóvel) para o leilão”.
Pereira destacou que, pelo acordo, as dívidas vêm sendo liquidadas conforme as negociações com os credores avançam. Embora ainda haja cerca de R$ 3 milhões a pagar, o clube não corre mais risco de leilão ou perda da sede “de jeito nenhum”.
O presidente também explicou que, após a venda, o clube permanecerá com a área das piscinas e terá uma nova sede social. Segundo ele, o comprador deverá apresentar ao conselho, até março, o projeto da nova sede. A expectativa é que a negociação permita reorganizar o clube, reduzir custos operacionais e criar condições para atrair novos associados.

Plantão Guarujá
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